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Tuesday, August 01, 2006

que viva la revolucion!

Este fim de semana vi o filme Dirty Dancing2: Havana Nights, por razões diversas e variadas que não interessa evocar aqui. O filme retrata a emigração por razões profissionais de um quadro americano para Cuba em 1958, e a integração de uma das suas filhas através da dança. Apesar da decepção causada pela qualidade intrinseca do filme, achei interessante a alusão a uma Cuba anterior ao regime castrista e à transição, que acontece no momento culminante do filme. 31 de dezembro de 1958, noite de fim de ano, final do concurso de dança latina à qual participam Javier e Kelly, os hérois do filme. Num grande hotel, com uma orquestra linda, todos os beautiful people de Cuba presentes (ou seja os americanos e os dignitarios mais altos do regime de Batista) para assistir ao triunfo da jovem americana timida e do barman cubano ingénuo, reunidos pela dança. Mas neste momento exacto, os "rebeldes" castristas entram, interrompem o baile e informam que Batista fugiu do pais, e que Cuba é livre! Um momento que podia ter salvo o filme da apatia que o caracteriza (nem as cenas de dança estavam bem filmadas, um cumulo para um filme sobre a dança!). Mas não! em vez disso, caimos num melo mais ou menos suportavel e eu desliguei me completamente do filme, para pensar na data propriamente dita: a subida de Fidel Castro ao poder, dia 1 de Janeiro de 1959. Ha mais de 47 anos atras. E hoje, pela primeira vez em 47 anos, o home providencial da revolução cubana "delegou" o seu poder por razões de saude. O homem cujos ideais de liberdade e fraternidade entre os povos seduziram o Che em pessoa; o homem que se recusou a comprometer a sua visão de uma sociedade mais justa, que combateu sempre o "imperialismo" americano; o homem que viu o fim da guerra fria, a queda do muro de Berlim, a União Soviética desmoronar-se para deixar o capitalismo entrar, e que se manteve firme. Este homem, com quase 80 anos de idade hoje, esta doente. Perto do fim, como diria o Paulo Flores. Dai que, depois de ver aquele filme, depois de ver as noticias hoje, eu disse para mim mesmo: nos sabemos como era Cuba antes de Castro subir ao poder: ha documentos, livros, filmes e testemunhos suficientes para permitir uma reconstituição fiel; sabemos (?) mais ou menos como é Cuba hoje, dirigida ha 47 anos por Fidel, fiel à utopia marxista, com todos os problemas que isso cause ao povo cubano. qual sera a face de Cuba pos-Fidel? Porque hoje mais do que nunca, a questão merece ser colocada. A diaspora cubana que se refugiou em Miami principalmente para fugir o regime castrista jubila de ver o fim proximo do Lider Maximo. Porque indubitavelmente, sera um momento de mudança para todos os cubanos, dentro ou fora do Pais. Mas para aonde avanças, Cuba, e que balanço tiraste da tua revolução? a mais idealizada, a mais heroica, a mais justa do século XX para gerações inteiras, que ainda hoje vêem no Che Gevara um idolo, uma resposta às apreensões da nossa sociedade moderna? Espero que o futuro de Cuba, como o de Angola (somos nações irmãs, não esqueçamos o que devemos àquele pequeno Pais), e quaisquer que sejam os seus proximos dirigentes e a sua linha ideologica, seja risonho, e que todo o seu potencial se realise e faça prosperar aquele arquipelago que o mundo em geral e Angola em particular aprenderam a respeitar e amar. QUE VIVA LA REVOLUCION!